Acompanhar o envelhecimento do nosso melhor amigo é uma experiência linda, mas que também traz uma série de novos desafios para a rotina da casa. Ver que o focinho do seu cachorro idoso está ficando branquinho, que os passos dele se tornaram mais lentos e que ele prefere passar mais tempo tirando uma soneca do que correndo atrás da bolinha é o ciclo natural da vida.
No entanto, muitos tutores acabam cometendo o erro de achar que certas dores ou o desânimo excessivo fazem parte da velhice e que não há nada a ser feito.
A verdade é que, com os suportes e adaptações certas no dia a dia, a fase madura do pet pode ser vivida com muita dignidade, alegria e zero sofrimento.
Se o seu grande companheiro de quatro patas entrou na melhor idade e você quer entender como adaptar o ambiente para essa nova realidade, veio ao lugar certo.
Vamos conversar sobre as principais transformações do corpo deles e o que você pode fazer para retribuir todo o amor que ele te deu ao longo dos anos.
Assim como acontece com os humanos, o tempo cobra o seu preço no organismo dos animais.
O primeiro passo para oferecer um bom manejo de um cachorro idoso é aprender a ler os sinais que o corpo dele envia.
O sintoma mais comum da idade avançada é a perda de elasticidade e o desgaste das articulações.
Se o seu pet começa a mancar nos dias mais frios, demonstra dificuldade ou medo na hora de subir no sofá, ou demora para conseguir se levantar depois de muito tempo deitado, ele provavelmente está lidando com dores crônicas nas juntas, como a osteoartrose.
Ficar atento a esses detalhes evita que o animal sofra em silêncio.
Para garantir o bem-estar de um cachorro idoso, pequenas mudanças na estrutura da sua casa e na dinâmica de passeios fazem uma diferença gigantesca no conforto dele.
É muito comum que os animais fiquem mais sensíveis psicologicamente à medida que envelhecem.
A perda gradual da visão e da audição faz com que eles se assustem mais facilmente com barulhos ou aproximações repentinas.
Se você convive com outras espécies e já precisou lidar com um gato estressado em casa, sabe o quanto a quebra da rotina abala os animais.
No cachorro idoso, essa insegurança pode virar uma ansiedade constante.
Manter os horários das refeições e dos passeios rigorosamente iguais ajuda a trazer uma sensação de controle e calmaria para a mente do peludo.
Inclusive, se a sua casa costuma ser muito agitada ou se você tem pets mais jovens cheios de energia, vale a pena aplicar técnicas de enriquecimento ambiental para gatos e cães, para que cada animal tenha o seu espaço de estímulo correto, evitando que os mais novos fiquem importunando o descanso do velhinho.
As necessidades nutricionais mudam completamente nesta fase.
O metabolismo fica mais lento e a tendência ao sedentarismo pode transformar o seu companheiro em um gato obeso ou um cão acima do peso ideal se as porções de comida não forem controladas.
O ideal é conversar com o veterinário para migrar para uma ração do tipo “senior”, que possui menos calorias, mas é enriquecida com protetores articulares (como condroitina e glucosamina) e antioxidantes.
Atenção redobrada também com a água. Cachorro idoso esquece de beber líquidos com frequência ou sente preguiça de andar até o pote, o que sobrecarrega os rins.
Espalhar várias vasilhas de água fresca pela casa é uma estratégia vital.
Se o consumo continuar baixo, truques semelhantes aos usados quando o gato não bebe água, como oferecer alimentos úmidos (sachês de boa qualidade) ou bater a ração com água morna, fazendo uma papinha, ajudam muito a manter o pet hidratado.

A melhor forma de garantir um envelhecimento saudável para um animal é começar a cuidar da prevenção desde os primeiros meses de vida.
Se você acabou de trazer um filhotinho para casa, saiba que a escolha da alimentação e as consultas preventivas agora vão ditar o quão forte ele chegará na velhice.
Embora os cuidados sejam focados em cães, dar uma olhada nas lições de como receber um gato filhote serve de ótimo paralelo sobre a importância de criar um histórico médico preventivo e vacinação em dia desde cedo.
Para acompanhar os consensos mundiais de geriatria veterinária e entender quais exames preventivos de sangue e de imagem devem ser feitos anualmente nos pets mais velhos, o portal da World Small Animal Veterinary Association (WSAVA) disponibiliza guias globais de saúde excelentes para tutores e profissionais.
Cuidar de um cachorro idoso exige paciência, dedicação e um pouquinho mais de tempo disponível, mas é também um dos maiores atos de amor que podemos exercer.
Não brigue se ele tiver um “acidente” de xixi fora do lugar ou se ele demorar mais para andar no passeio; lembre-se de que ele já te deu o melhor da juventude dele.
Agora, é a sua vez de ser o porto seguro e o colo quentinho que ele tanto precisa para descansar feliz.

















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